Cão da Serra da Estrela de pêlo comprido ou de pêlo curto: qual o melhor para si?
- Manuela Paraíso

- há 2 dias
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Escolher um Cão da Serra da Estrela deve ser uma decisão ponderada em função de vários factores, como o modo de vida que se tem, o que dele se pretende, a região e o clima de onde se mora, o espaço em que ele irá habitar, o tempo de que se poderá dispor para o passear e cuidar dele. A opção pela variedade de pêlo comprido ou de pêlo curto é uma das que requerem reflexão. Qual deles se adapta melhor ao seu estilo de vida e necessidades? Este texto vai ajudá-lo a entender as diferenças, vantagens e cuidados de cada tipo para fazer a escolha certa.

Características gerais do Cão da Serra da Estrela
Antes de entrar nas diferenças entre as pelagens, é importante conhecer um pouco sobre a raça. O cão da Serra da Estrela é tradicionalmente utilizado para a protecção de gado nas montanhas entre a região da Serra da Estrela e o Alto Douro. É forte, resistente, saudável, de porte grande e estrutura robusta, possui um intrínseco instinto protector, que desenvolve em torno dos seres com os quais cresce (pessoas ou animais). O temperamento é calmo, mas vigilante e corajoso, é inteligente e, apesar de tender a ser independente, é fácil de treinar, apenas requerendo persistência. Cuidadoso com os seres mais delicados, como crianças, idosos, pessoas com deficiência e animais bebés ou de pequeno porte, é potencialmente um excelente companheiro para famílias e para quem gosta de actividades ao ar livre. Importa, no entanto, frisar que, como qualquer cão, ou como qualquer pessoa, precisa de ser educado com equilíbrio e consistência.
Longo e espectacular ou curto e prático?
Se a maioria das pessoas continua a preferir o Serra de pêlo comprido, quer por ser muito mais conhecido e divulgado, quer pela sua beleza imponente e majestosa, pela sua pelagem volumosa e impressionante, frequentemente macia, sedosa e brilhante (embora esta característica seja uma degeneração relativamente à textura original, áspera como a do pêlo de cabra), nos anos mais recentes tem-se notado um interesse crescente pela variedade de pêlo curto, pelo mais prático maneio da pelagem e por se adaptar melhor a um habitat rural, com muita vegetação seca, que se prende e esconde muito mais facilmente no pêlo comprido do que no curto.
No entanto, nem sempre foi assim. Há algumas décadas, enquanto o Serra de pêlo comprido prosperava e começava, lentamente, a disseminar-se noutros países, o Serra de pêlo curto esteve em perigo de extinção, tendo sido preservado quase exclusivamente por criadores de gado e por um ou outro canicultor empenhado, e impulsionado pela acção da Associação Grupo Lobo, a qual desde há mais de 30 anos tem entregado cachorros dessa variedade a pastores para que protejam os rebanhos, ao mesmo tempo ajudando a gerir a sua reprodução e a preservação da variedade. Estando hoje mais estabilizada e já não em risco, é. ainda assim, um ilustre desconhecido para muitos portugueses, que apenas conhecem o Serra da Estrela de pêlo comprido.
Descubra as diferenças
Ao contrário do que alguns afirmam, as diferenças de carácter que poderão existir entre exemplares de uma e outra variedade não se devem a uma característica intrínseca genética de cada uma delas ligada ao comprimento do pêlo, mas sim a factores como temperamento individual, educação ou, mais provavelmente, ao facto de muitos Serras de pêlo curto provirem de linhagens de cães de trabalho, seleccionados por serem desconfiados para melhor cumprirem a sua função. Mas nem todos são assim. Ao escolher um cachorro, seja qual for a variedade, é importante que o criador o ajude a escolher o mais indicado para a vida que lhe vai proporcionar. Tanto na variedade de pêlo curto como na do comprido existem exemplares dóceis, tranquilos, de fácil lidação, e também outros mais desconfiados ou reservados, geralmente de total dedicação ao seu grupo familiar (humanos e/ou animais) mas pouco tolerantes para com estranhos.
A verdadeira diferença entre as variedades reside no comprimento do pêlo, porque tanto uma como outra costumam tê-lo mais ou menos denso, com alguma variabilidade entre indivíduos, sendo o subpêlo também profuso. Normalmente não ultrapassando os 5 cm no caso dos cães de pêlo curto, podendo até ser mais curtos, o pêlo dos da variedade de pêlo comprido atinge cerca de 10 cm ou mais. Ambos devem ter o pêlo espesso, com textura ligeiramente áspera, cabreada, com alguma tendência a produzir oleosidade, característica que ajuda a impermeabilizar a pelagem e, dessa forma, a proteger o animal contra o frio intenso, a chuva e a neve das montanhas.

Pêlo comprido em climas frios, pêlo curto nos quentes?
Embora seja esta a escolha mais comum, qualquer das variedades se pode adaptar a viver em climas vários. Os cães de pêlo comprido, se expostos regular ou sazonalmente a temperaturas altas (por exemplo, aqueles que vivem no Alentejo, Algarve ou em climas tropicais ou subtropicais), tendem a ver a sua pelagem de Verão, após a queda do subpêlo, tornar-se mais rala do que o costume, até mais fina, o que lhes permite suportar melhor o calor. De forma idêntica, os Serras de pêlo curto que habitam em climas muito frios (tais como os da Escandinávia ou da América do Norte) costumam aclimatizar-se, desenvolvendo uma pelagem mais densa e adequada.
Mais importante do que o comprimento da pelagem é a sua textura e a capacidade de produzir uma camada de gordura protectora, que faz a chuva e a neve deslizar pela superfície. Já os Serras com o pêlo fino e sedoso não costumam produzir essa oleosidade e tensem a ficar encharcados quando expostos à chuva.
Cuidados necessários
No caso do pêlo comprido, escovagem semanal para evitar pêlos emaranhados e nós atrás das orelhas, na cauda e nas franjas dos membros posteriores, além de ajudar a manter a pelagem limpa e saudável e a detectar problemas de pele e a presença de pragranas e outra vegetação seca
Os cães de pêlo curto quase não requem escovagens fora dos períodos da muda do sub-pêlo.
Nas épocas da queda do sub-pêlo (geralmente na Primavera e no Outono), as escovagens deverão ser mais frequentes, preferencialmente diárias, em ambas as variedades.
Os banhos só são aconselháveis se o cão estiver muito sujo ou se se molhar em água salgada e, nesses casos, após uma boa lavagem com um champô neutro, deverá ser usado um secador ou expulsor para cães, por forma a que o pêlo fique completamente seco - caso contrário, o odor que se libertará será ainda pior do que antes.
Considerações Finais
A escolha entre o Cão da Serra da Estrela de pêlo comprido ou pêlo curto depende do seu estilo de vida, ambiente e disponibilidade para cuidados. O pêlo comprido é mais belo e imponente mas exige mais tempo para a manutenção. O pêlo curto é mais prático e fácil de cuidar.
Sugiro que, ao ponderar a sua decisão, pense que, se optar por um Serra de pêlo curto, estará a contribuir para aumentar a população desta variedade que só muito recentemente começou a estabilizar-se, a divulgá-la e a ajudar a preservá-la como património nacional de que só podemos ter o maior orgulho.







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