O Serra da Estrela é, por definição, um cão de protecção  de rebanhos, fiel companheiro  do pastor, e tem desempenhado essa  tarefa desde há séculos – embora actualmente se veja quase  só exemplares de pêlo curto a trabalhar  com  o gado. Pela  sua versatilidade, adaptou-se bem a outras funções como guarda de propriedades  e como  cão de companhia, tornando-se a escolha  perfeita para famílias  que pretendem um cão de guarda que dissuada intrusos mas que seja meigo, paciente e delicado com as crianças e os idosos.

 

A origem do Serra da Estrela, uma das mais antigas raças caninas da Península Ibérica,  perde-se no tempo e advém da necessidade dos pastores de cães de grande porte que protegessem o gado do lobo, de outros predadores e de ladrões. Ao longo dos séculos, a selecção natural reforçou a robustez e um forte instinto de trabalho, que inclui a condução de rebanhos, os quais são ainda características dominantes na raça. No século XX, alterações nas condições políticas e sociais no país produziram um significativo decréscimo na actividade pastoril e quase levaram à extinção da raça. No entanto, nas últimas décadas, ela tornou-se a mais popular das raças nacionais, em Portugal, apesar da variedade de pêlo comprido ser muito mais numerosa do que a de pêlo curto - a qual, sendo embora ainda preferida pelos pastores, requer esforços para a sua conservação.

O facto da Escola de Fuzileiros de Vale do Zebro ter, em tempos, optado por treinar estes cães, atesta a sua facilidade de aprendizagem e a sua grande agilidade (apesar da corpulência), o que faz deles cães capazes de cumprir bem um treino de obediência e até mesmo de “agility”. Alguns deles têm sido utilizados, com sucesso, como cães de terapia, visitando crianças, idosos e deficientes em hospitais e outros estabelecimentos. 

Cão da Serra da Estrela

O Cão da Serra da Estrela
Baden Baden da Ponta da Pinta. Foto: Alexandre Vidigal
Ponta da Pinta

Apesar do seu carácter independente,  o Serra da Estrela é um companheiro excepcional, de uma absoluta dedicação ao seu dono. Afectuoso e meigo, paciente e cuidadoso com as crianças, é também um guardião intrépido e corajoso. Sempre vigilante, reservado ou até desconfiado perante estranhos, face a uma ameaça assume uma postura dissuasiva e só em circunstâncias extremas, para defender a sua família humana ou o espaço que lhe foi dado guardar, se tornará agressivo. Parece, no entanto, distinguir, entre os estranhos, os que são amigáveis dos que têm más intenções. Dominante, é territorial e tem um comportamento beligerante face a outros cães de grande porte e muito activos – sendo no entanto tolerante com os pequenos e os cachorros. Por ter um forte sentido de justiça, não compreende nem respeita castigos demasiado severos ou despropositados. Tem uma personalidade muito forte e gosta de fazer o que lhe apetece – daí a necessidade de discipliná-lo. É um cão tranquilo, auto-confiante, pleno de dignidade e nobreza, que se sente bem ao pé do dono e não gosta da solidão (embora por vezes se isole por um bocado). Inteligente, com grande capacidade de aprendizagem, é diligente, trabalhador e enérgico. Parece ter  grande  atracção pelo gado, mesmo que a ele não tenha sido habituado desde cedo.​

 

 

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